A rotina de quem está enlutado

Um modo diferente de amar

Uma mulher vista de meio perfil, com uma expressão que denota cansaço emocional e introspecção. Ela está com uma das mãos tocando o pescoço, um gesto que simboliza a tensão e a sobrecarga física do estresse emocional. Seu rosto está voltado para cima, como se buscasse ar ou forças para enfrentar as tarefas comuns do dia. A imagem ilustra a dificuldade de manter a rotina durante o luto, onde as atividades mais simples se tornam pesadas e exigem um esforço hercúleo de quem fica

Quando o luto acontece a dor é imensa

Todos nós temos a nossa hora. Algumas vezes somos privilegiados de compartilhar alguns anos ao lado de alguém tão especial, mas o que fazer quando ocorre uma ruptura?

Lidar com o luto é um desafio quando ele acontece. Ter que se adaptar a nova rotina, enfrentar o dia seguinte sem aquela pessoa que você gosta, ter que fazer as coisas mesmo sem tanta energia – é difícil. Há momentos que são bem singulares e que só pertencem àquele que está vivenciando o luto.

Precisamos entender que é complicado para aquele que acabou de perder uma pessoa querida. Não podemos exigir que ele retome seu caminho, isso precisa de um tempo para acontecer. 

Infelizmente, nada pode mudar o que aconteceu. Tudo nessa vida é “uso e fruto”, nada levamos, nada temos.

Quanto tempo pode durar o luto?

A tristeza do luto se estende por um ou dois anos geralmente. No qual, se tem a oportunidade de experimentar todo um calendário anual sem a presença da pessoa que partiu. Porém, algumas pessoas demoram mais tempo.

O luto de certa forma pode ser experimentado por toda a vida, porque jamais poderemos esquecer alguém que amamos, assim como deixar de sentir falta da sua presença.

Porém, em determinado momento “lembrar do outro” não dói como no início em que aconteceu o rompimento, e nesse momento pode-se dizer que a pessoa enlutada está lidando com sua perda e ao mesmo tempo seguindo em frente.

Contudo, lidar com o luto não significa “esquecer” alguém que fez parte da sua história. A morte representa o rompimento físico, mas não sentimental. O sentimental vem depois, quando a dor ameniza e a pessoa enlutada começa a compreender melhor tudo o que aconteceu. 

Coisas que acontecem na rotina da pessoa enlutada

Uma imagem em tons de preto e branco mostrando uma mão que segura com cuidado e firmeza um coração de cor vermelha vibrante. O contraste destaca o coração como o único ponto de cor em um cenário monocromático. A imagem ilustra a experiência da rotina no luto: a sensação de que o mundo ao redor perdeu o brilho e o sentido, enquanto a dor e o amor pela pessoa perdida permanecem intensos, vívidos e centrais em cada momento do dia, exigindo que o enlutado carregue esse sentimento em todas as suas tarefas

Sentimento de culpa por sentir que falhou

Quando a pessoa enlutada se sente culpada por algo que fez em relação ao ente querido a dor poderá ser imensa. 
A dor da culpa vai embora quando a pessoa enlutada aceita que errou, pois na ocasião dos fatos não tinha a experiência, talvez o amadurecimento para olhar a situação de outra forma. 

Guardando os objetos

Algumas pessoas guardam os objetos do ente querido, não mexem no quarto, não se desfazem das roupas. Isso é muito comum acontecer!

Existem pessoas que fazem isso como uma forma de manter vivo o ente querido, para lembrar que ele esteve ali. Pode ser também para não perder o contato com ele.

Guardar objetos representa a dor emocional da perda. Ao se desfazer dos objetos é como ver partir o ser amado pela segunda vez.

Deste modo, aqueles que ficaram não precisam ser apressados para se desfazer dos objetos, mas necessitam ser acolhidos pelas pessoas em sua volta.

Desejo de reencontrar a pessoa que partiu novamente

Diante da morte, a pessoa que ficou pode procurar sinais e lugares associados ao ente querido, às vezes, imagina que poderá fazê-lo reviver ou reencontrá-lo de alguma maneira. Principalmente aquelas que não puderam ver a pessoa amada pela última vez, no enterro, por exemplo. Essa situação aconteceu muito na pandemia covid-19, assim como em acidentes naturais, situações de guerra, desaparecimento.

Algumas pessoas se apegam em tentar sentir a presença material do outro, de tal forma, que constituem  uma ilusão ou alucinação da imagem dele. No luto ela se dá conta da impropriedade disso, mas no luto patológico não.

De modo geral, é preciso respeitar o tempo de cada pessoa para vivenciar sua dor.

Quando a dor se intensifica é importante buscar auxílio psicológico. Se você está buscando um espaço para se sentir compreendido e acolhido, agende uma sessão. Juntos, podemos encontrar caminhos para que você se sinta mais leve.

Cada um lida de um jeito com o luto

Um homem asiático de perfil em um fundo cinza minimalista, segurando uma xícara com as duas mãos e tomando chá com uma expressão de calma introspectiva. A imagem captura o esforço consciente de alguém que busca equilíbrio emocional após uma perda. O cenário monocromático destaca a jornada solitária e única de cada indivíduo, onde o ato de saborear uma bebida quente simboliza o autocuidado e a tentativa de reencontrar o conforto e a normalidade em meio ao vazio deixado pelo luto

Situações que influenciam na intensidade do luto:

  • A natureza da relação com a pessoa que morreu;
  • As circunstâncias da morte;
  • O sistema de apoio da pessoa enlutada;
  • Personalidade;
  • Possibilidade de estar passando por outros problemas;
  • Compreensão sobre o significado da morte.

Respeitar o tempo é importante – no luto

Inicialmente as crises de pesar são intensas, mas depois se tornam menos frequentes.

À medida que a pessoa enlutada começa a fazer novos envolvimentos, emerge a esperança de continuar a viver, para então surgir um novo recomeço.

Desta forma, o tempo de enfrentamento do luto precisa ser respeitado.

Luto – transformação da dor em amor

Uma imagem em tons de rosa que exibe o gráfico de um eletrocardiograma, com suas linhas oscilantes características que representam os batimentos cardíacos. Ao final da sequência de ondas, a linha se transforma e deságua no desenho de um coração sólido e completo. A imagem ilustra a jornada de transformação do luto: as oscilações da dor que, com o tempo e o cuidado, convergem para um estado de amor eterno e memória preservada, simbolizando que a vida continua a pulsar através do afeto que ficou

Ver alguém amado partir mas sem jamais esquecê-lo

Algumas pessoas se apegam a ideia de que para vencer o luto é preciso esquecer o ente querido, por isso, podem ficar anos enlutadas em grande sofrimento. Entretanto, é possível ir passando pelo luto se lembrando gentilmente daquela pessoa querida com boas recordações. 

Se a perda faz parte da vida como muitos dizem, amar e sofrer é um possível destino para nossos corações. Dentro dessa conjectura, é importante valorizar tudo que temos de mais importante na vida – que são as “pessoas queridas”.  

Como é viver sem aquela pessoa especial?

É diferente e desafiador viver sem a pessoa amada, principalmente se o vínculo era forte e a partida não era esperada.

Portanto, vá com calma, não se desespere em querer retirar de si toda a sua dor, pois isso leva a quadros de desesperança. Viva um dia de cada vez. Pense muito em você, se de suporte, também procure o amor das pessoas que ficaram, talvez um novo propósito.

Quando buscar ajuda profissional no luto?

Uma imagem com fundo azul sereno onde dois homens aparecem unindo suas mãos para formar a silhueta de um coração. Cada um contribui com uma metade do símbolo, criando uma composição que representa unidade e apoio mútuo. A imagem ilustra o momento de buscar ajuda profissional durante o luto: o reconhecimento de que, às vezes, precisamos do amparo e da técnica de outra pessoa para reconstruir nosso bem-estar emocional e dar forma novamente à nossa capacidade de amar e seguir em frente

Algumas pessoas sofrem muito. A dor não diminui com o passar do tempo e o cotidiano se torna totalmente prejudicado. Nesse momento, é necessário buscar ajuda profissional, porque o sofrimento é intenso e duradouro, se tornando difícil a superação. Outro ponto de destaque, é quando a tristeza não passa, se instalando a depressão.

Vivenciar a perda de uma pessoa querida e próxima é algo que modifica a vida de todo mundo. Porém, quando outras áreas importantes são afetas é hora também de procurar um profissional.

A pessoa que está enlutada geralmente começa a voltar aos poucos  para sua rotina. É preciso, por exemplo, que cuide da sua alimentação a ponto de não emagrecer ou engordar muito, consiga trabalhar, trate da sua situação financeira, cuide daqueles que ficaram. Mas isso não poderá ser um passo apressado pelos outros.

Contudo, nem todas as pessoas tem a possibilidade de escolher o seu tempo de reclusão levando em consideração as responsabilidades que possuem.

Para as pessoas que têm predisposição para depressão, os cuidados devem ser redobrados.

No luto, o indivíduo precisa entrar em contato com os sentimentos, ressignificando sua história sem jamais esquecer aquele que partiu. Mas aprender a amá-lo de uma forma que a vida possa ser reconstruída e adaptada à nova situação.

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Maria Cristina S. Araujo

Psicóloga Clínica SP – 06/108.975 

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