Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT): sintomas

Como identificar e tratar?

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O que é o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT)?

O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é uma condição psicológica que pode surgir após a vivência de um evento traumático.

Embora muitas pessoas enfrentem situações difíceis e consigam se recuperar ao longo do tempo, aqueles com TEPT continuam a reviver o trauma, experimentando angústia intensa e dificuldades emocionais que impactam sua qualidade de vida.

O transtorno de estresse pós-traumático pode ocorrer após a vivência de uma situação traumática, forte e geradora de medo. A partir disto, a pessoa começa a desenvolver um estado de alerta com recordações recorrentes do evento traumático.

Envolvido por sofrimento, o indivíduo revive o fato constantemente (flashback).

De forma intuitiva a pessoa pode tentar evitar as emoções para não fazer contato com as lembranças do trauma. 

O transtorno de estresse pós-traumático tem se tornado cada vez mais comum devido à crescente exposição à violência, que atinge um número cada vez maior de vítimas no país.

Assim como o homem primitivo enfrentava os perigos da selva, o homem moderno se depara com diversas situações de risco, principalmente a violência urbana, que inclui assaltos, sequestros, agressões físicas e psicológicas, acidentes e desastres naturais.

Sintomas do TEPT: Como identificar o transtorno

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Os sintomas do TEPT podem se manifestar de diferentes formas e variar em intensidade. Eles são geralmente agrupados em quatro categorias principais:

Revivescência do trauma:

  • Flashbacks vívidos e involuntários.
  • Pesadelos recorrentes.
  • Reações emocionais intensas ao relembrar o evento. 

Evasão e esquiva:

  • Evitar lugares, pessoas ou situações que lembrem o trauma.
  • Dificuldade em falar sobre o ocorrido.
  • Isolamento social e emocional.

Alterações cognitivas e emocionais:

  • Sentimentos persistentes de culpa ou vergonha.
  • Memórias fragmentadas ou dificuldade em lembrar detalhes do evento traumático.
  • Perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas.

Hiperestimulação (hipervigilância):

  • Sensação constante de perigo iminente.
  • Irritabilidade ou explosões de raiva.
  • Dificuldade para dormir e concentração prejudicada.
  • Esses sintomas podem surgir semanas, meses ou até anos após o evento traumático e, se não tratados, podem comprometer seriamente a vida da pessoa.

Caso identifique esses sintomas em si mesmo, procure fazer terapia hoje mesmo.

O ciclo do TEPT: Passo a passo do trauma

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Posteriormente, a pessoa começa a reviver o trauma no plano psicológico. Isso pode ocorrer por meio de sonhos perturbadores, angústia e recordações intrusivas, com percepções e sensações de revivência da experiência. Também podem ocorrer alucinações, ilusões e episódios dissociativos.

Assim, o sujeito tem fortes reações desconfortáveis em situações que lembram o evento. Por outro lado, ele também pode esquecer de alguns momentos, como se estivesse apagado da memória algumas coisas que vivenciou durante o perigo. 

Diante desse sofrimento, ele começa a tentar fugir de tudo que é associado ao trauma: lugares, pessoas, atividades, pensamentos, assuntos referentes ao trauma… 

Entretanto, atividades antes prazerosas e planos futuros podem ser abandonados, devido à intensidade dos sintomas do transtorno de estresse pós-traumático.

Em decorrência do transtorno de estresse pós-traumático, a pessoa pode apresentar comportamentos como irritabilidade, agitação, insônia ou hipersonia, estado de alerta constante, dificuldade de concentração e sobressaltos frequentes.

Comorbidades

É comum que pessoas com TEPT desenvolvam outras comorbidades, como depressão e ansiedade, o que pode influenciar o tratamento.

O transtorno de estresse pós-traumático e o impacto na vida: áreas afetadas

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O TEPT afeta não apenas a saúde mental, mas também as relações interpessoais, o desempenho no trabalho e a qualidade de vida de quem sofre com esse transtorno.

Vida pessoal e emocional: Muitas pessoas com TEPT enfrentam sentimentos de desamparo, depressão e ansiedade. A constante revivência do trauma pode levá-las a um estado de alerta permanente, dificultando o descanso e o bem-estar emocional.

Relacionamentos: A dificuldade em confiar nos outros, as alterações de humor e a necessidade de isolamento podem impactar casamentos, amizades e relações familiares.

Desempenho profissional e acadêmico: Problemas de concentração, esgotamento emocional e dificuldade em lidar com o estresse podem prejudicar a produtividade no trabalho e nos estudos.

Saúde física: O TEPT pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares, distúrbios gastrointestinais e dores crônicas devido ao estresse prolongado no organismo.

Prevenção do TEPT: Estratégias e cuidados

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A prevenção é um ato de amor próprio.

Embora ninguém esteja livre de adoecer, podemos cuidar do nosso corpo e mente para fortalecer nossa resiliência.

É sempre interessante implementar mudanças no estilo de vida, como adotar uma alimentação saudável, praticar esportes, reservar momentos para lazer e autocuidado sempre que possível.

Procure também desenvolver boas relações, incluindo estar próximo de pessoas com empatia.

Além disso, é importante aprender a olhar para dentro de si mesmo e fazer contato, observando os desejos, necessidades, criando objetivos, pois são elementos importantes para a saúde do corpo e da mente. 

O autoconhecimento e a mudança de hábitos também podem ser benéficos.

Quando buscar ajuda? Sinais de alerta do TEPT

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É importante que a vida continue mesmo após eventos traumáticos.

Se você percebe que sua vida não está do jeito que gostaria, e que os sintomas ocupam um espaço maior do que deveriam, é necessário buscar ajuda.

O impacto de uma situação perigosa na vida das pessoas pode variar muito. No entanto, já observei pessoas com o transtorno de estresse pós-traumático sofrendo demais, inclusive sendo afetadas nos âmbitos socioambiental e psicoemocional.

Se a situação em que ocorreu o trauma foi muito difícil, imagine viver em constante estado de alerta? O corpo entra em estresse, o que prejudica a saúde de modo geral.

Sensação de impotência diante dos sintomas, falta de autonomia e liberdade para gerir a própria vida: é isso que também acontece.

Na clínica de psicologia, percebo que muitas dessas pessoas têm dificuldade para falar o que sentem. Elas reprimem a angústia por muito tempo, e quando chegam na terapia é porque já não estão mais conseguindo reduzir a pressão que sentem, buscando alívio para suas dores.

Por outro lado, Sem o devido cuidado, o transtorno de estresse pós-traumático pode progredir e gerar consequências, como o risco de comorbidades.

A psicoterapia é uma abordagem promissora no tratamento do transtorno de estresse pós-traumático. No entanto, a consulta com um psiquiatra também é necessária em muitos casos, principalmente quando a rotina fica prejudicada.

Vivendo com o transtorno de estresse pós-traumático: Dicas para o dia a dia

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Informações práticas para lidar com o TEPT no dia a dia

Embora o tratamento especializado seja essencial, algumas estratégias podem ajudar a minimizar os impactos do transtorno no cotidiano.

Rotina e bem-estar:

Criar uma rotina estruturada: Manter horários regulares para dormir, comer e praticar atividades pode trazer uma sensação de previsibilidade e segurança.

Praticar exercícios físicos: Atividades como caminhada, ioga e musculação ajudam a reduzir a tensão e a ansiedade.

Regulação emocional

Aprender técnicas de regulação emocional: Exercícios de respiração, mindfulness e relaxamento progressivo podem ajudar a lidar com crises de ansiedade e flashbacks.

Evitar gatilhos quando possível: Se determinadas situações, filmes ou notícias intensificam os sintomas, vale limitar a exposição a esses estímulos.

Suporte e autoconhecimento

Criar um sistema de apoio: Ter amigos, familiares ou um grupo de suporte pode proporcionar conforto e segurança.

Registrar os sentimentos: Manter um diário pode ajudar a compreender padrões emocionais e identificar o que desencadeia os sintomas.

Auxílio profissional

Buscar ajuda profissional: A orientação de um psicólogo é fundamental para desenvolver estratégias eficazes de enfrentamento. Em vários casos também é importante fazer tratamento com psiquiatra para uso de medicação.

Tratamento do TEPT: Abordagens e terapias

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O tratamento para o TEPT pode envolver diferentes abordagens, dependendo da gravidade dos sintomas e das necessidades individuais. Entre as opções mais eficazes, destacam-se:

Psicoterapia

A terapia é amplamente utilizada para ajudar o paciente a reformular pensamentos disfuncionais e enfrentar traumas de maneira mais saudável.

A dessensibilização e reprocessamento por meio dos movimentos oculares (EMDR) pode auxiliar também na reestruturação das memórias traumáticas.

Medicação

Antidepressivos, como inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), são frequentemente prescritos para ajudar a regular o humor e a ansiedade.

Em alguns casos, ansiolíticos podem ser utilizados sob supervisão médica para reduzir sintomas de hipervigilância e insônia.

Terapias complementares

Atividades como meditação, acupuntura e musicoterapia podem auxiliar no controle do estresse e na regulação emocional.​

O tratamento do TEPT é um processo contínuo, e cada pessoa responde de maneira diferente às intervenções. No entanto, com o suporte adequado e as estratégias certas, é possível recuperar o bem-estar e retomar uma vida mais equilibrada.

Se você ou alguém que conhece enfrenta dificuldades relacionadas ao TEPT, buscar ajuda profissional é o primeiro passo para superar os desafios e encontrar novos caminhos para viver melhor.

O TEPT tem tratamento e é possível ter uma vida plena após o trauma.

Maria Cristina S. Araujo

Psicóloga SP – 06/108.975 

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